Tem exatamente um ano que eu escrevi um texto de "livramento" pelo término de um relacionamento abusivo.
Um ano passou e "antes só do que mal acompanhada" ainda persiste, mas o "só", está solitário demais. É difícil não ter com quem conversar, com quem dividir as angústias e alegrias, é difícil ser responsável por tudo e ter que ir atrás de todo e qualquer conhecimento necessário para se criar um filho.
Já não bastam as dificuldades físicas, as psicológicas agora também pesam igualmente (isso se não pesam mais).
Minha cabeça nunca mais foi a mesma, e por mais que eu tenha dias bons, eles ainda são minoria e se eu tivesse direito a pedir algo, pediria pra deixar de existir. Não aguento mais a solidão, não aguento mais cuidar da minha filha completamente sozinha em todos os sentidos.
Não sou mais um ser humano, sou mãe. Não sou mais mulher, sou mãe. Não existe mais Juliana, existe só a mãe da Thalia; E isso não é um conceito meu, é o que o mundo me mostra. Não sei nem responder quando foi a última vez que ouvi pergutarem: "Como você está?", mas também não importa, quando a pergunta surge, ela é retórica.
Enfim, eu sei que absolutamente ninguém vai ler isso. Ser invisível no mundo real nos torna invisível no mundo virtual também.
Eu só queria descansar, minha alma morta não aguenta mais carregar essa vida vazia e sem sentido. Eu só queria deixar de existir, não aguento mais sofrer.
E se um dia eu tiver coragem de acabar com tudo isso, não quero choro, não quero lamentação. Ninguém faz nada por mim em vida, não quero que façam pela morte.
A culpa é de vocês, guardem suas lágrimas de crocodilo pra quem gosta de retóricas.
Eu odeio a sociedade, eu odeio as pessoas, eu odeio o que vocês fizeram com o mundo.


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